Na criminalística, há uma sequência lógica: primeiro o vestígio, depois a evidência, que pode gerar indícios, e tudo isso, junto com outros elementos, compõe a prova no processo penal.
Vestígio
Vestígio é o ponto de partida da criminalística: é todo objeto, material bruto, rastro, marca ou sinal, visível ou latente, encontrado em local de crime, em vítima, suspeito ou outro cenário relevante, que possa ter relação com a infração penal.
Pode ser físico (pegada, projétil, mancha de sangue, vidro quebrado) ou digital (logs, arquivos, registros eletrônicos), e deve ser identificado, preservado e submetido à cadeia de custódia para futura análise pericial.
Evidência
Evidência é o vestígio que já passou por análise técnico‑científica e se mostrou relevante para o fato investigado, estabelecendo relação concreta com a infração.
Em linguagem criminalística, a evidência é o vestígio qualificado pelo exame pericial, com nexo de causalidade reconhecido, tornando‑se elemento de prova material (por exemplo, exame que vincula um projétil a determinada arma ou DNA ao suspeito).
Indício
Indício, no processo penal, é circunstância conhecida e provada que, relacionada ao fato, permite concluir, por indução, a existência de outra circunstância (conceito do art. 239 do CPP).
Na prática criminalística, o indício é a inferência construída a partir de um ou mais vestígios/evidências (por exemplo, impressão digital do investigado em arma com sangue da vítima, no local e horário compatíveis com o crime), integrando o conjunto de provas indiciárias.
Prova
Prova, em sentido processual, é o conjunto de elementos produzidos sob as regras do processo, destinados a formar o convencimento do juiz sobre fatos relevantes da causa, podendo ser documental, testemunhal, pericial, indiciária etc.
Na interface com a criminalística, a prova pericial resulta da transformação de vestígios em evidências, registradas em laudo; esses resultados, combinados com demais meios de prova, compõem o quadro probatório sobre materialidade, dinâmica e autoria da infração penal.
Em criminalística, “tipos de vestígios em local” costuma ser estudado por categorias: pela relação com o crime, pela durabilidade e pela natureza (biológica, física etc.).
1. Quanto à relação com o crime
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Vestígio verdadeiro: produzido diretamente pela ação delituosa ou por quem a praticou (ex.: sangue da vítima no piso, projétil disparado na cena).
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Vestígio ilusório: está no local, mas não tem relação com o crime, embora possa parecer relevante à primeira vista (ex.: mancha antiga, resto de obra, lixo pré‑existente).
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Vestígio forjado: colocado de forma intencional para simular, desviar ou confundir a investigação (ex.: sangue de terceiro derramado para encenar luta, objetos “plantados”).
2. Quanto à durabilidade no local
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Vestígios fugazes: desaparecem rapidamente se não forem prontamente documentados e coletados (ex.: marcas de frenagem em via muito movimentada, pegadas na areia, odores, fumaça).
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Vestígios persistentes: mantêm características por tempo razoável, mas podem degradar com ação do tempo ou do homem (ex.: manchas de sangue em tecido, fibras têxteis, fragmentos de vidro).
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Vestígios perenes: só desaparecem por ação de grande intensidade, permanecendo por longo prazo (ex.: deformações estruturais relevantes, danos permanentes em alvenaria, marcas profundas em metal).
3. Quanto à natureza do vestígio
3.1 Vestígios biológicos (orgânicos)
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Exemplos: sangue, saliva, suor, sêmen, urina, fezes, tecidos, cabelos, pelos, restos de tecido humano.
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Utilidade: exames de DNA, identificação de espécie, avaliação de dinâmica (projeção de sangue, posição de vítima/agressor), presença/ausência de contato físico.
3.2 Vestígios não biológicos (inorgânicos/químicos)
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Exemplos: solo, poeiras, tintas, combustíveis, explosivos, drogas, resíduos de disparo de arma de fogo, vidros, metais.
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Utilidade: vincular pessoa/objeto ao local (solo em calçado), identificar agentes químicos usados (incêndio, explosão, envenenamento), relacionar veículo a colisão.
3.3 Vestígios morfológicos (de forma/padrão)
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Exemplos: pegadas, rastros de pneus, marcas de ferramentas em portas e janelas, impressões papiloscópicas (digitais, palmares, plantares), padrões de fratura.
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Utilidade: identificar autor (impressões digitais), veículo (marca de pneu), instrumento (pé‑de‑cabra, chave de fenda), direção e modo de entrada/saída.
3.4 Vestígios entomológicos e ambientais
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Exemplos: larvas, insetos, estágio de decomposição, presença de animais necrófagos.
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Utilidade: estimativa de intervalo pós‑morte, tempo em que o corpo permaneceu em determinado local, deslocamentos de cadáver.
3.5 Vestígios digitais/telemáticos no local
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Exemplos: computadores, celulares, câmeras, DVRs, roteadores, dispositivos IoT, registros de acesso (logs).
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Utilidade: reconstruir ações (acessos, comunicações, deslocamentos), vincular pessoas ao local e ao momento do fato.